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Foto dos fundadores da Inovia, Tiago e Fernanda. Eles estão no ambiente de trabalho, em área interna, e estão lado a lado, olhando para a câmera. Fernanda está sentada e Tiago em pé. Fim da descrição.

Incubada da Incamp desenvolve aplicações baseadas em Inteligência Artificial e já captou recursos de fontes de fomentos que totalizam R$ 4,5 milhões

Texto: Christian Marra | Fotos: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp

Com foco no desenvolvimento de soluções com o uso de Inteligência Artificial (IA) para diversas aplicações, a Inovia é uma empresa incubada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), sob gestão da Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), que vem conquistando consideráveis aportes de recursos de órgãos de fomento. No total, foram R$ 4,5 milhões captados junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de 2022 para cá.

A Inovia é comandada por dois sócios, Tiago José de Carvalho, ex-aluno de mestrado e doutorado do Instituto de Computação (IC) da Unicamp, e a administradora Fernanda Kristina Balieiro. Segundo eles, não têm faltado demanda por serviços baseados em aplicações de IA. Mas foi preciso ajustar o foco do negócio para facilitar a atração de recursos, como ocorreu especialmente ao longo dos dois últimos anos.

Foto em ambiente externo dos fundadores da Inovia. Eles estão sentados, de costas um para o outro, em suas respectivas mesas, trabalhando no computador. O ambiente tem paredes brancas e um armario centralizado.
Desde agosto de 2023 a Inovia está instalada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp

A Inovia foi criada em 2017, mas foi graças à criação de um produto próprio, a plataforma B-You, em 2022, que a empresa passou a atrair mais recursos. “Essa tecnologia, que pode ter aplicações na área da saúde, serviu de base para um projeto de financiamento que submetemos em 2022 à FAPESP. E deu certo: nosso projeto foi aprovado para a fase 1 do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Desde então, recebemos um aporte de R$ 300 mil para prosseguir com o seu aprimoramento. E isso turbinou o avanço da empresa”, explica Carvalho.

Balieiro, por sua vez, acrescenta que, no começo, a empresa esbarrava em limitações de escalabilidade para ampliar a clientela. Mas tudo começou a mudar com a plataforma B-You, que nasceu quase por acaso: “estávamos analisando um aplicativo que fornecia as medidas do corpo com base em fotos tiradas pelo celular. Surgiu a ideia de criarmos uma solução similar, porém mais sofisticada e mais precisa, com o uso de técnicas de IA. Assim nasceu a Plataforma B-You, que foi um marco para acelerar o nosso crescimento”, conta Balieiro.

Esse aporte da FAPESP permitiu à Inovia aumentar o time de desenvolvedores. Foi nessa ocasião que os sócios decidiram aproximar-se do ecossistema da Unicamp. Em 2023 eles participaram do processo seletivo da Incamp, e foram aprovados. A Inovia instalou-se definitivamente no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp em agosto de 2023.

Um projeto com o uso de IA para a Receita Federal

Simultaneamente a esses trâmites, Carvalho e Balieiro não tiravam os olhos de um novo passo ainda mais ousado. Em 2022 o governo federal havia lançado um edital para ofertar subvenções econômicas a empresas de várias áreas, entre elas, as especializadas em soluções de IA para atender demandas de vários órgãos governamentais. “Eram sete instituições que necessitavam de soluções para uns 12 processos internos, que requeriam aprimoramentos. Escolhemos um deles, dirigido à Receita Federal. E começamos a trabalhar em um projeto robusto, com a descrição da tecnologia, o orçamento previsto, um cronograma de ações, e tudo mais”, conta Carvalho.

Como ele detalha, a Receita Federal estava à procura de um processo mais ágil para analisar imagens de raio-X dos produtos contidos nos contêineres que chegavam aos seus postos alfandegários. O uso de IA daria mais agilidade a esse processo, pois ela possibilitaria analisar as imagens desses conteúdos e cruzar os dados com as listas de bens declarados.

Em janeiro de 2024 foi anunciado o resultado do edital e a Inovia foi uma das empresas contempladas. A empresa celebrou um contrato de subvenção econômica com a Finep que prevê, ao longo dos próximos dois anos, aportes de verbas que totalizam R$ 4,2 milhões para desenvolver a tecnologia para a Receita. Carvalho esclarece que “será concedida uma verba inicial equivalente a 15% desse montante para a validação do projeto nos seis primeiros meses, em seguida, um novo aporte para os oito meses sucessivos, e um aporte final passado esse prazo.”

Foto posada dos fundadores da Inovia, Tiago e Fernanda. Ele está de braços cruzados, ao lado de Fernanda. Ambos estão sorrindo. Eles encontra-se em um ambiente externo, com árvores paisagem verde ao fundo.
A presença no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp tem permitido a Tiago Carvalho e a Fernanda Balieiro contratar desenvolvedores formados na Universidade

Projetos da Inovia para 2024

Mesmo com atenções voltadas ao projeto para a Receita Federal, para o qual a Inovia vai contratar mais desenvolvedores, a evolução da Plataforma B-You seguirá de forma simultânea. Como comenta Carvalho, “ele é o nosso carro-chefe, a “menina dos nossos olhos”, e a plataforma tem muito a evoluir. O PIPE FAPESP 1 ainda está ativo, mas nós já submetemos um pedido para a sua fase 2. A ideia é obter novos recursos para finalizar a tecnologia e deixá-la mais ajustada às demandas do mercado,” completa. As empresas que são contempladas no PIPE 2 da FAPESP recebem um total de R$ 1,5 milhão.

A Inovia ainda trabalha em outro projeto com o uso de IA, com foco no processamento de linguagem para a extração de informações de declarações do Imposto de Renda (IR). Balieiro exemplifica como essa solução pode funcionar: “muitas pessoas precisam de uma análise do seu IR para conseguir um financiamento junto a instituições financeiras. A ferramenta de IA é capaz de extrair os dados que estão estruturados nas declarações do IR e de organizá-los em um sistema. Ela facilita a análise dessas informações, simplificando o processo de obtenção de crédito”, detalha a sócia da Inovia.

Fortalecimento dos laços com a Unicamp

A decisão de incubar a Inovia na Incamp representou, para Carvalho, estreitar os laços com a Unicamp, onde ele aprofundou os seus conhecimentos sobre a sua área de atuação. Durante o mestrado e o doutorado cursados no IC, seus estudos foram dirigidos sobretudo à análise de imagens com o uso de tecnologias de IA.

Em 2017, quando os sócios decidiram criar a Inovia, Balieiro cursava, na ocasião, um MBA em Machine Learning e já vislumbrava o potencial de mercado da área de IA. Ela apresentou a ideia a Carvalho e assim nasceu a Inovia, uma empresa-filha da Unicamp que uniu o conhecimento de mercado de Balieiro com o conhecimento especializado de Carvalho.

Foto dos fundadores da Inovia, Tiago e Fernanda. Eles estão no ambiente de trabalho, em área interna, e estão lado a lado, olhando para a câmera. Fernanda está sentada e Tiago em pé, ambos em frente a um computador.
Em 2024, a Inovia planeja expandir o desenvolvimento de sua plataforma com apoio do PIPE 2 da FAPESP

Em 2023, já com a aprovação do PIPE 1 da FAPESP, os sócios tomaram a decisão de pleitear a incubação da Inovia na Incamp. Com uma demanda maior pela contratação de desenvolvedores, permanecer conectado à Unicamp se tornaria vantajoso. “Hoje temos uma equipe com oito colaboradores, a maioria deles desenvolvedores, que são bolsistas de mestrado e de iniciação científica”, acrescenta Carvalho.

Por fim, ele também destaca a importância da rede de negócios que esse contato com a Unicamp proporciona: “outro motivo que nos estimulou a buscar a incubação foi nosso interesse em ampliar o networking. Esse é um ativo valioso que o ecossistema do Parque Científico e Tecnológico oferece”, finaliza o ex-aluno da Unicamp.

Saiba mais sobre a Incamp

Empresas com ideias ou projetos de base tecnológica com alto potencial de impacto e inovação, que estejam em fase embrionária ou em início de suas operações, podem participar dos Programas de Incubação e receber mentoria e apoio da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) por até três anos.

As empresas participantes da pré-incubação ou da incubação podem manter suas operações em outros espaços físicos (modelo não-residente) ou se instalar em uma das salas disponíveis no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp como empresas residentes. Saiba mais e confira os editais.