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Martha Gabriel dá dicas para mentes mais criativas durante Encontro Unicamp Ventures

Por Juliana Ewers

Banho, café e cama. Olhando assim, a receita para ter boas ideias até parece fácil. E foi exatamente dessa maneira, listando esses três exemplos, que Martha Gabriel, ex-aluna da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e best-seller, resumiu de que forma as pessoas podem se tornar mais criativas e, consequentemente, alavancar empresas mais inovadoras. A dica foi dada durante o 11º Encontro Unicamp Ventures, realizado na última sexta-feira.

Segundo Martha, a velocidade de processos de mudança vertiginosos tem lançado novos desafios e gerado uma reconfiguração não só de comportamento das pessoas, mas que combina também: corpo, cérebro e relacionamento social. “A tecnologia tem sido o drive dessa mudança. Por isso, cada vez mais as pessoas necessitam ser mais criativas para alavancar negócios de impacto”, afirmou.

Para mensurar isso, uma comparação simples: o rádio, como meio de comunicação, demorou 38 anos para alcançar a marca de 50 milhões de pessoas, enquanto o WhatsApp consegue incorporar à sua rede o mesmo número de pessoas em apenas um mês.

Essa é só uma das tantas mudanças que vivenciamos nos últimos anos. O que antes levava questão de gerações para ser alterado, hoje é capaz de causar uma reviravolta em apenas um ano. “A questão é que: para cada mudança, surge um novo problema. E para resolver novos problemas, eu preciso de novas habilidades”, destacou a palestrante.

Quais seriam elas?

Com a mudança da “Era da Informação” para a “Era da Inovação”, é importante fazer o filtro correto para identificar oportunidades. E, nesse sentido, as habilidades necessárias, de acordo com Martha, são:

  • Pensamento crítico: pensar, analisar, e identificar ameaças e oportunidades
  • Criatividade: desenvolver o processo mental de geração de ideias e conceitos. De que forma é possível aproveitar as oportunidades verificadas?
  • Conexão: fomentar um ecossistema de colaboração, que una pessoas e tecnologias.

“Só que isso não se aprende na faculdade”, completou Martha.

Mas então, como alcançá-las?

A criatividade vem do estímulo. Dessa maneira, é primordial que esse seja um exercício constante. “Nossa criatividade tende a se contrair à medida em que nosso conhecimento e julgamento se expandem. Fica no automático. Seu cérebro não registra nada. Por isso, é preciso esquecer o julgamento e o conhecimento, e se abrir para o restante”, afirmou.

A criatividade é um atributo individual, uma habilidade humana. Já a capacidade de inovação é inerente às empresas. Sendo assim, alguns elementos devem convergir para que o processo criativo flua e resulte em inovação.

Alguns incentivos são: ter oportunidade de treino (colocar as habilidades em desenvolvimento), ter liberdade de criação e ter coragem para criar. “Quanto mais ideias você tem, mais chance você tem de ter boas ideias.”

O ambiente exerce um papel importante no processo criativo. “Já reparou que algumas vezes travamos em um projeto e paramos para tomar um cafezinho. Ao sentar na copa, questão de cinco minutos, nosso cérebro já nos dá várias ideias.”, exemplifica Martha Gabriel.

Ela explica: a visão consome 83% da percepção do ser humano. Assim, ambientes que não tomem tanta atenção da nossa visão nos fazem aflorar os outros sentidos. “É a união do quentinho do copo, tato; cheirinho de café, olfato; gostinho da bebida, paladar. Que, combinados, geram uma nova experiência para a pessoa”, disse Martha Gabriel. “O dia que fizerem uma copa com vista panorâmica, acabou o processo criativo lá”, brincou.

Outra experiência que provoca efeito semelhante é o banho. Como a pessoa comumente está em um box, fechado, sem muita coisa para prestar atenção, os demais sentidos também são liberados e a pessoa tende a ter mais ideias.

Durante o processo criativo, o surgimento de várias ideias é normal. Mas aí vem a dúvida: qual a melhor delas? Aí que entra a última dica: durma e descubra.

De acordo com Martha Gabriel, o cérebro tira as incongruências das ideias de criação. “Quanto mais dias você acordar com o coração batendo forte, mais certo você estará de que aquelas são boas ideias”.

Em resumo: banho, café e cama. “É simples, né? Tudo o que nós já estávamos acostumados a fazer”, disse a palestrante sorrindo.

Para dar gás a esse processo criativo, aí vão mais algumas dicas de Martha Gabriel:

  • Neuróbica
    É a ginástica para o cérebro. “Faça coisas de formas diferentes e aprenda coisas novas. Isso te faz pensar. Tocar instrumentos musicais e aprender novos idiomas cria neurônios. Isso é fantástico. ”
  • Repertório
    Só tem repertório quem é curioso. Desta maneira, a pessoa cria novas associações. “Tem uma informação? Imite aplicando aquilo a sua realidade. Dali, nascerá uma inovação. ”
  • Desapego
    Recalcule a rota se for necessário. “Não se prenda a uma mesma ideia, mesmo se ela der certo. Aprenda a desapegar porque o mundo muda rápido demais e logo ela pode não ser mais uma boa ideia”, finalizou Martha.