search
Fotografia. Lucas Fonseca e Lucas Parreiras em laboratório, eles usam jalecos branco, luvas azuis e óculos de EPI, Lucas Parreiras está em primeiro plano e observa uma placa de petri na luz, no segundo plano Lucas Fonseca mexe em tubulações em máquina. Fim da descrição.
Com foco no desenvolvimento de enzimas para aplicação industrial, a startup APEXzymes, incubada na Incubadora da Unicamp, obteve um aporte de capital da GRIDX para financiar os seus projetos de pesquisa.

 

Texto: Christian Marra | Foto de capa: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp


Indústrias alimentícias ou de biocombustíveis têm grande interesse no uso de enzimas em seus processos produtivos. As enzimas são grupos de substâncias orgânicas, normalmente proteicas, cuja função catalisadora acelera reações químicas. Por isso elas são desejadas pela indústria, pois, além de serem necessárias em determinados processos, elas têm essência natural, podendo substituir produtos químicos ou com origens não renováveis atualmente em uso. Elas são, assim, uma alternativa ambientalmente sustentável para a indústria.

Esse potencial das enzimas despertou a atenção de dois ex-alunos de doutorado que trabalhavam juntos há alguns anos na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): Lucas Salera Parreiras, pesquisador na área de engenharia genética, e Lucas Miranda Fonseca, pesquisador na área de bioprocessos.

Com especialidades que se complementavam, em 2021 eles se uniram para fundar a APEXzymes, uma startup com foco no desenvolvimento de coquetéis enzimáticos concentrados, diversificados e personalizáveis, que proporcionam viabilidade econômica para novas aplicações de enzimas. A ideia inicial era fornecê-las com custo reduzido para indústrias dos setores de alimentos e biocombustíveis com essas demandas.

Mas, logo em seus primeiros anos, eles esbarraram em um obstáculo: muitas empresas demonstraram receio em introduzir novas substâncias em seus processos, temendo afetar o resultado dos produtos. Os sócios perceberam que era preciso trabalhar mais próximos dos potenciais clientes, conhecer melhor as suas necessidades e desenvolver as enzimas de forma integrada.

Importância da incubação na Incamp

Em 2023, os sócios fundadores procuraram apoio para replanejar o modelo de negócio da empresa. Eles submeteram um projeto à  Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), sob gestão da Agência de Inovação Inova Unicamp, e a APEXzymes foi incubada em um dos programas da Incamp. Esse passo foi fundamental para acelerar os contatos dos sócios com os agentes do mercado.

Foi também no ano passado que, durante uma visita de uma equipe do fundo de investimento argentino GRIDX à Unicamp, a APEXzymes despertou o interesse dos visitantes. Seus sócios celebraram uma parceria com o fundo, o que mudou completamente os rumos da empresa.

Como o investimento da GRIDX acelerou a APEXzymes

Fotografia, Lucas Parreiras, Larissa de Farias Viana e Lucas Fonseca estão sentados em frente a um banner onde está escrito Gridx, sorriem. Fim da descrição.
Larissa de Farias Viana (ao centro), CEO da APEXzymes, associou-se aos cofundadores Lucas Parreiras (esq.) e Lucas Fonseca (dir.) após o aporte de investimentos da GRIDX em 2023. | Crédito: Kipus Comunicación

A GRIDX é uma venture capital argentina que atua como catalisadora de startups. Além de aportes financeiros, a empresa fornece know-how administrativo e conexões com potenciais clientes. Vislumbrando o potencial de crescimento da APEXzymes, em agosto de 2023 a GRIDX realizou um investimento de US$ 200 mil na empresa. Esses recursos estão sendo destinados a financiar os processos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), o que permite aperfeiçoar as soluções de biotecnologia ofertadas pela empresa.

Após esse aporte, uma das primeiras ações foi incorporar à empresa a engenheira química Larissa de Farias Viana para atuar como CEO e associar-se aos fundadores da APEXzymes. Além disso, a GRIDX ofereceu a sua experiência para auxiliar a startup a desenvolver um projeto de crescimento mais robusto, conforme detalha Viana:

“O apoio da GRIDX permitiu estabelecer um cronograma de planejamento mais concreto para os próximos anos e milestones bem definidos, tornando os rumos da APEXzymes mais claros e promissores. Passamos a ter mais foco em nossos diferenciais competitivos e reposicionamos as nossas ações de mercado. Tudo isso nos deu um caminho mais sólido e promissor”, esclarece a CEO.

Viana também explica que o aporte da GRIDX tem sido essencial para a empresa atravessar a atual fase de desenvolvimento das enzimas, etapa cuja ênfase concentra-se na pesquisa e nas validações parciais necessárias.

Futuros passo no desenvolvimento da APEXzymes 

Para este ano de 2024, a APEXzymes trabalha para cumprir importantes etapas de validação dos seus produtos e, ao mesmo tempo, fortalecê-la em novas rodadas de investimentos. Segundo a CEO, “estamos em conversas com potenciais investidores, principalmente do Brasil, mas também dos Estados Unidos e da Europa, e esperamos usar os primeiros resultados obtidos nessas rodadas de negócios.” A projeção inicial da empresa é ter produtos para serem oferecidos no mercado a partir de 2026.

Fotografia. Lucas Fonseca e Lucas Parreiras estão em laboratório, usam jalecos brancos, luvas azuis e óculos de EPI, manuseiam instrumentos de laboratório. Fim da descrição.
Com o aporte de venture capital, os pesquisadores trabalham nas etapas de desenvolvimento dos coquetéis enzimáticos, previstos para serem oferecidos no mercado até 2026. | Crédito: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp

 

Por fim, os sócios da APEXzymes também destacam a importância de participar do programa da Incamp, uma decisão que abriu novos horizontes para o crescimento da empresa. Ainda de acordo com Viana, a chancela da Unicamp facilita esse avanço: “O nome da Unicamp agrega muita credibilidade, é um importante respaldo que a Universidade proporciona. Tudo isso torna o nosso processo de P&D muito mais fluido”, conclui a CEO.

Saiba mais sobre a Incamp

Empresas com ideias ou projetos de base tecnológica com alto potencial de impacto e inovação, que estejam em fase embrionária ou em início de suas operações, podem participar dos Programas de Incubação e receber mentoria e apoio da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) por até três anos.

As empresas participantes da pré-incubação ou da incubação podem manter suas operações em outros espaços físicos (modelo não-residente) ou se instalar em uma das salas disponíveis no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp como empresas residentes.  Saiba mais e confira os editais.