Software da Unicamp torna mais precisos os aplicativos de saúde em smartwatches

A imagem mostra duas pessoas em um ambiente de escritório. Em primeiro plano, o foco está no braço de uma delas, que usa um relógio inteligente com a tela acesa. A pessoa está tocando o visor do relógio com o dedo indicador da outra mão, aparentemente interagindo com o dispositivo. Ao fundo, desfocado, um homem está sentado à mesa usando um computador, com teclado e monitor visíveis. Fim da descrição.
Software desenvolvido no Instituto de Computação (IC) da Unicamp possibilita a coleta de biossinais dos usuários de relógios inteligentes, permitindo que seus aplicativos ofereçam resultados mais próximos aos de equipamentos médicos profissionais.

Esta é uma das reportagens da série especial que compõe a Revista Prêmio Inventores 2025. A série destaca tecnologias da Unicamp licenciadas ou absorvidas pelo mercado e empresas spin-offs acadêmicas criadas no último ano. 

Texto: Christian Marra – Inova Unicamp | Fotos: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp

 

Cada vez mais os smartwatches – relógios de pulso com funções inteligentes similares às de um smartphone – estão ganhando funcionalidades avançadas para monitorar a saúde do usuário. Alguns modelos são capazes de informar dados como batimentos cardíacos, oxigenação do sangue, níveis de estresse, qualidade do sono e até mesmo sinais de arritmia ou quedas, atuando como monitores de bem-estar em tempo real. No entanto, atualmente essas informações não são facilmente acessíveis aos usuários, dificultando sua comparação com equipamentos médicos de referência, sendo apenas indicadores aproximados das condições de saúde da pessoa.

Imagem do professor Anderson Rocha, do Instituto de Computação da Unicamp. Ele está em pé, sorrindo levemente para a câmera, em um ambiente de escritório. Ele tem cabelo castanho ondulado, barba e usa uma camiseta preta com o logotipo "recod.ai". Ao fundo, há monitores de computador, móveis de escritório e uma parede de vidro, compondo um cenário tecnológico. Fim da descrição.

Professor Anderson Rocha (IC), diretor do laboratório Recod.ai. Foto: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp.

Contudo, uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC Unicamp) reduz consideravelmente a distância entre os dados de saúde apresentados por smartwatches e os que são aferidos por equipamentos médicos profissionais. Essa tecnologia, um software denominado Viva Sensing, aprimora a precisão da coleta de dados biométricos dos usuários desses relógios. Esses dados mais certeiros, quando enviados a aplicativos de saúde baseados em Inteligência Artificial (IA), podem oferecer ao usuário resultados comparáveis aos obtidos por equipamentos médicos de referência, como explica o professor do IC Unicamp, Anderson Rocha:

“O Viva Sensing aprimora a coleta de biossinais de uma pessoa. Em nossos testes, os dados captados pelos sensores de um smartwatch, como acelerômetro, giroscópio, termômetro e monitor de frequência cardíaca, comprovaram que podem permitir o desenvolvimento de soluções de IA com resultados que alcançam, em alguns casos, aos de equipamentos médicos padrão-ouro, aqueles considerados as melhores referências para diagnosticar e tratar parâmetros clínicos específicos”, explica o professor.

Rocha também é diretor do Recod.ai, um laboratório de IA vinculado ao IC Unicamp, com parcerias com vários institutos e faculdades da universidade. O Viva Sensing foi desenvolvido no âmbito do projeto Viva Bem, ramo do Recod.ai voltado a aplicações nas áreas de saúde e bem-estar, fruto de uma parceria de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e a Samsung. Também participante da criação do Viva Sensing, a empresa sul-coreana é cotitular deste programa de computador, que já foi licenciado, por exemplo, para a Universidade do Estado do Amazonas. Como órgão responsável na Unicamp, a Agência de Inovação Inova Unicamp conduziu a negociação e os processos para firmar o acordo de PD&I entre a Unicamp e a Samsung e participou da  proteção da propriedade intelectual e do licenciamento da tecnologia.

 

Como a tecnologia desenvolvida na Unicamp pode chegar aos smartwatches

A partir do acordo de PD&I com a Samsung, a tecnologia desenvolvida na Unicamp em parceria com a empresa pode ser incorporada aos seus smartwatches, embora essa presença possa não ser perceptível ao público. O professor do IC, Breno de França, explica a razão:

A imagem mostra quatro pessoas reunidas em frente a um computador em um ambiente de escritório. Um homem de camisa verde está sentado e olhando atentamente para a tela, ao lado de um jovem usando camiseta branca que digita no teclado. Atrás deles, uma mulher de cabelos longos e grisalhos e outro homem de barba observam a atividade na tela. Todos parecem concentrados em uma tarefa de programação, com código visível em um grande monitor à frente. Fim da descrição.

Da esq. para a dir., professor Anderson Rocha, Breno de França, Felipe Bertocco e Natielle Rabelo (IC). Foto: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp.

“O Viva Sensing não é um aplicativo. Ele é um programa focado em tornar mais precisa a coleta dos dados de saúde das pessoas, informações que vão alimentar aplicativos de smartwatches. Ninguém vai ver o Viva Sensing rodando no seu relógio, mas é bem provável que, daqui em diante, por trás de muitos aplicativos de saúde instalados nesses relógios, esteja presente a tecnologia desenvolvida na Unicamp”, acrescenta o professor.

França reforça que, graças aos resultados positivos obtidos nos testes com o Viva Sensing, ele pode ampliar o acesso a dados de saúde que, normalmente, estão ao alcance somente de quem pode realizar exames médicos com equipamentos de ponta: “Acreditamos que os smartwatches podem se tornar, com essa tecnologia, ferramentas mais acessíveis para um monitoramento da saúde dos usuários. Eles poderão fornecer às pessoas alertas de saúde valiosos em seu dia a dia”, observa o professor.

 

Aplicações do Viva Sensing em pesquisas clínicas, mobilidade e medicina esportiva

Além de fornecer dados a aplicativos para smartwatches, o Viva Sensing pode ter outros usos na área da saúde. Uma possibilidade é aplicá-lo em pesquisas clínicas, como acrescenta o pesquisador do IC Unicamp, Felipe Bertocco: “O software pode ser programado para realizar inúmeros tipos de coletas de dados de um usuário. Ele pode ser configurado para uso em estudos clínicos, nos quais exista a necessidade de coletar determinadas informações de um paciente e acompanhar esses parâmetros ao longo do tempo”, comenta Bertocco.

Outro exemplo é a sua aplicação na área da mobilidade para pessoas com deficiência: “O software também pode ser usado para monitorar sinais fisiológicos de um cadeirante, fornecendo informações valiosas para quem faz o acompanhamento médico. O software pode coletar seus biossinais, sem a necessidade de equipamentos complexos ou de deslocamentos frequentes a clínicas. Isso tornaria mais seguro e ágil o acompanhamento da pessoa com deficiência”, explica Bertocco.

A medicina esportiva é outro campo com aplicações promissoras do software, como ele detalha: “O Viva Sensing pode informar parâmetros como frequência cardíaca, temperatura corporal etc., o que facilita a análise de dados como o tempo de resposta do corpo durante treinos, sinais precoces de fadiga ou de sobrecarga, padrões de recuperação, entre outros. Tudo isso pode ser benéfico para atletas amadores ou profissionais”, conclui o pesquisador.

 

PRÊMIO INVENTORES 2025

Esta é a 18ª edição do Prêmio Inventores que a Inova Unicamp organiza com o propósito de reconhecer e valorizar os inventores engajados na transferência de tecnologias da Universidade e na criação de empresas spin-offs acadêmicas no último ano.

 

 

INVENTORES PREMIADOS NESTE LICENCIAMENTO:

Anderson de Rezende Rocha, Breno Bernard Nicolau De França, Felipe Capiteli Bertocco, Natielle Ferreira Rabelo, Didier Augusto Vega Oliveros e Aurea Rossy Soriano Vargas(IC) foram premiados na categoria Propriedade Intelectual Licenciada no Prêmio Inventores 2025, organizado pela Inova Unicamp.

 

PROGRAMAÇÃO DE HOMENAGENS DE 2025:

A Inova Unicamp organizou uma série de homenagens em comemoração ao Prêmio Inventores de 2025, como as reportagens relacionadas a casos premiados, disponíveis para leitura nos sites da Inova Unicamp e do Prêmio Inventores, bem como em formato e-book na Revista Prêmio Inventores.

No dia 19 de agosto, a Inova Unicamp também promoveu o Webinar Prêmio Inventores, compartilhando casos de sucesso na proteção da propriedade intelectual e transferência de tecnologia da Universidade. Assista à gravação do Webinar no YouTube da Inova Unicamp.

As fotos da cerimônia de comemoração estão disponíveis no Flickr da Inova Unicamp.

Os premiados também receberam um certificado de reconhecimento, confira a lista completa de todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.

A edição de 2025 tem o patrocínio de ClarkeModet e FM2S.

 

3. Saúde e Bem-Estar
Tecnologia voltada a ODS 3. Saúde e Bem-Estar.

 

 

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