18 de agosto de 2025 Webinar destaca papel estratégico das TICs na conexão entre universidade e empresas
Encontro promovido pela Inova Unicamp discutiu estratégias de proteção da propriedade intelectual, casos de sucesso em inteligência artificial e o impacto da computação quântica no mercado e na pesquisa
Texto: Isabele Scavassa – Inova Unicamp
Na manhã de 12 de agosto, a Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) promoveu o webinar “TICs como Ponte entre Universidade e Empresa”, reunindo especialistas para debater oportunidades, desafios e estratégias na transformação do conhecimento acadêmico em soluções de mercado no campo das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
O evento, realizado no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica entre a Inova Unicamp e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), foi direcionado a pesquisadores, docentes, estudantes, profissionais da indústria e gestores e incluiu uma oportunidade exclusiva de mentoria gratuita com o INPI para os participantes, divulgada em parceria com a Inova.
A abertura e moderação ficou por conta de Ana Paula Palazi, analista de comunicação da Inova Unicamp, seguida de Iara Ferreira, coordenadora de Negócios e Inovação da Agência. Ferreira reforçou a importância de promover a cultura de proteção à propriedade intelectual dentro da Universidade e ampliar a presença das tecnologias no mercado.
“A Inova tem atuado de forma muito próxima aos pesquisadores, docentes e alunos da Unicamp com mentorias, oficinas e programas como o InovaLab, no qual visitamos laboratórios para orientar sobre o que é possível proteger, por que proteger e como essa proteção pode abrir portas para novas parcerias e negócios. Também oferecemos ações como o Inova em Ação e atendimentos especializados, sempre com a missão de mostrar que a propriedade intelectual não é um tema distante, mas sim uma ferramenta estratégica para transformar conhecimento em inovação”, destacou Ferreira.
Cenário de proteção de TICs no Brasil e as tendências tecnológicas
A primeira apresentação foi de Camila Chaves Santos, coordenadora de relações institucionais do INPI e especialista em propriedade industrial. Ela trouxe um panorama detalhado do cenário brasileiro de proteção da propriedade intelectual em TICs, utilizando dados do Radar Tecnológico, um relatório estatístico baseado em informação de patentes, a partir de temas específicos de interesse nacional.
A coordenadora explicou que, no Brasil, tecnologias desenvolvidas por computador podem ser protegidas por patentes envolvendo invenções implementadas em computador, quando apresentarem efeito técnico e aplicabilidade prática, além de poderem ser registradas como programas de computador. Entre os campos mais dinâmicos estão inteligência artificial, aprendizado de máquina e soluções integradas para dispositivos inteligentes, áreas que vêm registrando crescimento acelerado de depósitos de patentes.
Ela ressaltou que a análise de documentos de patentes permite mapear tendências tecnológicas e identificar oportunidades de negócios, especialmente em setores emergentes. No entanto, destacou que a participação de empresas e inventores nacionais ainda é tímida em comparação com depositantes estrangeiros. “As patentes não são apenas um mecanismo de proteção, mas também uma fonte estratégica de informação para direcionar pesquisas e investimentos”, observou.
Estratégias de proteção da PI e transferência de tecnologia na prática
O segundo palestrante, Anderson Rocha, professor titular do Instituto de Computação (IC) da Unicamp e coordenador do laboratório Recod.ai, apresentou casos concretos de como pesquisas em inteligência artificial desenvolvidas no ambiente acadêmico chegaram ao mercado.
Fundado em 2010, o Recod.ai é um laboratório de inteligência artificial localizado no campus de Barão Geraldo da Unicamp, em Campinas, reunindo cerca de mais de 200 colaboradores no Brasil e no exterior, atuando de forma interdisciplinar com áreas como sociologia, medicina, física e ciências políticas. Rocha destacou que 80% dos projetos do laboratório são realizados em parceria com a indústria, incluindo empresas como Samsung, Motorola, Lenovo, Shell, Petrobras, Microsoft e empresas instaladas no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
Ele detalhou o processo de proteção da propriedade intelectual de uma tecnologia, que envolve avaliar a anterioridade, a aplicabilidade prática e o potencial de mercado. Segundo o professor, a proteção da propriedade intelectual pode ocorrer por depósito de pedido de patente ou por registro de software, dependendo das características da invenção. Rocha reforçou que proteger não impede a publicação científica, desde que o depósito seja feito antes. “Se uma invenção tem potencial de mercado e não é protegida, perde-se a oportunidade de gerar riqueza e competitividade para o país”, afirmou.
Além dos aspectos técnicos, ele destacou a importância de considerar impacto social, redução de vieses, explicabilidade e auditabilidade nos processos de proteção – fatores cada vez mais relevantes em áreas como reconhecimento facial, sistemas de apoio à decisão e aplicações médicas.
O potencial transformador da computação quântica
Encerrando as apresentações, Gustavo Wiederhecker, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, abordou o tema “Por que a Computação Quântica importa?”. Ele explicou que a tecnologia quântica se baseia em princípios da mecânica quântica para realizar processamentos de informação em escala e velocidade muito superiores aos computadores clássicos.
Wiederhecker destacou que a computação quântica pode otimizar áreas como ciência de materiais, simulação de reações químicas, desenvolvimento de fármacos, otimização de redes e segurança da informação. Esses avanços, segundo ele, dependem de um ecossistema colaborativo entre universidades, centros de pesquisa e empresas para superar desafios técnicos como a estabilidade dos qubits e a correção de erros.
Ele também ressaltou que a corrida tecnológica global nessa área é intensa e estratégica, com grandes investimentos de países e corporações. O Brasil, segundo Wiederhecker, tem potencial para participar dessa transformação, mas precisa ampliar a formação de especialistas e investir de forma consistente em pesquisa e infraestrutura.
O evento foi encerrado com um debate entre os palestrantes, movimentado por perguntas do público, reforçando que a proteção da propriedade intelectual e a colaboração multidisciplinar são fatores essenciais para ajudar a transformar pesquisa em inovação de impacto.
Sobre a Inova Unicamp
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campi. A Inova Unicamp foi criada em 2003 com o objetivo de identificar oportunidades e promover atividades que estimulam a inovação e o empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado.
A Agência apoia a comunidade na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia, na consolidação de convênios de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e o setor empresarial. Ela também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e capacitações.
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