19 de novembro de 2025 Inova Unicamp participa de debates sobre ecossistemas de inovação em universidades na COP30
Painéis organizados pela iniciativa FL4ALL apresentaram soluções em empreendedorismo e inovação desenvolvidos nos ecossistemas brasileiros como provedores de soluções globais
Texto: Ana Paula Palazi – Inova Unicamp | Imagens: Divulgação FL4ALL
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) e o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp participaram de uma série de debates, a convite do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, sobre como os ecossistemas de inovação, as cidades e as universidades podem acelerar soluções ambientalmente sustentáveis em escala global.
Os painéis organizados pela iniciativa global Flourishing Lives for All (FL4ALL), pelo Instituto Sueco RISE, pelo Centro Global de Inovação sobre Mudanças Climáticas da ONU e pelo ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, integraram a programação da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) durante os dias 13 e 14 de novembro.
O evento concentrou-se nos ambientes de inovação e nas startups brasileiras que estão moldando soluções para um futuro próspero para pessoas e o planeta, sem limitar a agenda climática à lógica tradicional da redução de danos.
Dentro dessa perspectiva do Brasil como potencial provedor global de soluções, foi apresentado o relatório Brazil Gate Solutions, que identifica mais de cem startups brasileiras e soluções de seis parques tecnológicos, incubadoras e universidades em cinco cidades brasileiras com potencial de evitar mais de 1 gigatonelada de emissões de dióxido de carbono (CO2) — o dobro das emissões anuais do país. Entre as soluções apresentadas está o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp com sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica, ambos gerenciados pela Inova Unicamp.
A contribuição da Inova Unicamp
Durante os painéis, o professor Renato Lopes, diretor-executivo da Inova Unicamp, apresentou a estrutura integrada da Agência de Inovação da Universidade. “Somos tanto um escritório de transferência de tecnologia – cuidamos da propriedade intelectual, protegendo e transferindo a PI gerada pela Universidade – quanto também gerenciamos a Incubadora e o Parque Científico e Tecnológico”. Essa interação é muito rica, segundo Lopes, pois permite apoiar soluções que vão da “da bancada ao mercado”.
Ele destacou iniciativas sediadas na Unicamp ligadas à transição energética, que recebem apoio estratégico da Inova Unicamp. Entre elas estão o Centro de Inovações em Novas Energias (CINE) e o Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn), além do programa de pesquisa Amazon Face, coordenado por pesquisadores da Unicamp e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), dedicado a estudar os impactos do aumento das concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.
Lopes também mencionou a formação universitária como outra maneira pela qual a Universidade contribui para as mudanças climáticas, citando o papel da comunidade das empresas-filhas da Unicamp nesse processo. Uma dessas empresas, fundadas por egressos da Unicamp e reconhecida recentemente no Prêmio Empreendedores da Unicamp na categoria Impacto Socioambiental, fornece soluções em equipamentos com tecnologia de ozônio e painéis solares para o tratamento de água em comunidades e para a produção de alimentos.
Outro destaque mencionado pelo diretor-executivo da Inova Unicamp foi o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), estruturado no modelo de inovação “quíntupla hélice”, que prevê a instalação de laboratórios vivos e inclui a participação da Universidade, governo, indústria, sociedade civil e meio ambiente. “A sustentabilidade é um grande foco da Universidade e isso gera um ciclo virtuoso que atrai mais investimento. Os estudantes e os pesquisadores ficam mais engajados, produzem pesquisa de alto impacto e isso faz toda a roda da inovação girar novamente”, concluiu Lopes.
Empreendedorismo acadêmico na pauta
A coordenadora de ambientes de inovação e empreendedorismo na Inova Unicamp, Mariana Zanatta Inglez, levou a perspectiva da Incubadora e do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp para o debate. Ela destacou a importância de apoiar empreendedores altamente qualificados tecnicamente, mas que ainda carecem de experiência em gestão e mercado. “Nosso desafio é ajudá-los a transformar conhecimento em soluções e negócios, e reconhecer quando precisam trazer outras competências para dentro da empresa”, afirmou.
Zanatta Inglez também comentou sobre a força da motivação dos empreendedores brasileiros, mesmo diante dos obstáculos de um país em desenvolvimento. “Existe uma paixão nacional por desenvolver soluções brasileiras, muito presente entre os empreendedores que passam pela nossa Incubadora. Temos diversas tecnologias voltadas ao agronegócio, por exemplo. Precisamos dar voz a essas soluções”, disse.
Entre os exemplos apresentados, ela mencionou negócios de impacto socioambiental incubados que evidenciam o potencial do país, como a Defense Fertilizer. Liderada por duas empreendedoras, a empresa desenvolve um biodefensivo capaz de reduzir em até 90% a ferrugem do café e, na soja, não apenas diminuir a incidência da doença, mas também aumentar a produtividade e o tamanho dos grãos. “É uma solução que impacta diretamente a segurança alimentar”, ressaltou.
Outras iniciativas também se destacam, como a empresa Rubian Extratos, que nasceu da competição Desafio Unicamp, organizada pela Inova, e é graduada na Incamp. A startup atua especialmente na produção de extratos naturais para as áreas cosmética e de saúde. Esses extratos são obtidos por meio de processos limpos, sem solventes que usam tecnologias desenvolvidas na Universidade e extraem o máximo de ingredientes de frutas e plantas como jabuticaba, urucum, maracujá e artemísia.
Aceleradoras e bioeconomia ampliam o debate
Outros nomes ligados a Universidade, como o docente Gonçalo Pereira, do Instituto de Biologia (IB), e o pesquisador Jurandir Zullo Junior, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI) da Unicamp; e de empresas-filhas da Unicamp, como Rosana Jamal, da Baita Aceleradora, empresa vinculada ao Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, também participaram dos painéis.
O professor Pereira, referência em bioinovação na produção de energia, discutiu a relação entre energia, desigualdade e modelos de desenvolvimento, defendendo a expansão da bioenergia. Ele destacou o agave — planta típica de regiões semiáridas — como alternativa escalável para o Brasil e outros países. Pereira coordena o Laboratório de Genômica e Bioenergia (LGE) do IB da Unicamp, que abriga o programa Brazil Agave Development (Brave), desenvolvido em parceria com Shell, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec).
A Baita Aceleradora, representada por Jamal, apresentou seu método de avaliação de startups, baseado em propósito, sustentabilidade financeira e escalabilidade. A empreendedora apontou barreiras para a adoção de inovação e reforçou a necessidade de financiamento que seja “paciente” e permita o desenvolvimento de soluções a longo prazo para as questões climáticas. As contribuições convergiram para uma mesma mensagem: as soluções climáticas brasileiras já estão em desenvolvimento e emergem de ecossistemas como o da Unicamp, onde pesquisa científica, empreendedorismo tecnológico e inovação se conectam.
Sobre a Inova Unicamp
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), criada antes da Lei de Inovação, atua desde 2003 como o único Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade, responsável pela proteção dos ativos de propriedade intelectual da Unicamp e pela proteção dos interesses da Unicamp em convênios de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmados com empresas e instituições e nas transferências de tecnologias da Universidade.
Também é responsável por promover a comunicação e cultura de inovação e empreendedorismo, pelo apoio na criação de empresas spin-offs acadêmicas, pelo mapeamento de empresas-filhas da Unicamp e pela gestão do Parque Científico e Tecnológico e da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp).
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