3 de dezembro de 2025 Fomento à inovação pauta o FAPESP Day Campinas
Evento promovido pela Inova Unicamp apresentou a empreendedores e pesquisadores as principais linhas de financiamento da FAPESP para pesquisa e inovação
Texto: André Gobi – Inova Unicamp | Fotos: Igor Alisson – Inova Unicamp
A fim de apresentar oportunidades de financiamento e engajar pesquisadores e empreendedores da comunidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Agência de Inovação Inova Unicamp co-realizou junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em 13 de novembro, o FAPESP Day Campinas, evento dedicado a apresentar linhas de fomento e estratégias de captação de recursos disponibilizados pela Fundação.
Com apoio da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), o evento foi realizado no Salão Nobre da unidade, atraindo docentes, pesquisadores, empreendedores e alunos de toda a Universidade, além de demais interessados em aproximar ciência, inovação e mercado por meio de financiamento e parcerias para transformar pesquisas em soluções tecnológicas.
Linhas de fomento e integração com o ecossistema da Unicamp
Focado em debater as modalidades de fomento disponibilizadas pela FAPESP para pesquisa e inovação, o evento foi moderado por Kátia Kishi, supervisora de comunicação da Inova Unicamp, área responsável pela organização do evento e outras ações de fomento da cultura de inovação e empreendedorismo. A série de apresentações do dia foi iniciada pelo diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp, o professor Renato Lopes, que mostrou um panorama do ecossistema de inovação e empreendedorismo da Universidade, destacando como a Inova atua no processo de conduzir pesquisas da Unicamp ao mercado e a importância das linhas de fomento nesse caminho.
“A inovação gerada a partir das pesquisas desenvolvidas na Unicamp é resultado de uma construção coletiva, que envolve pesquisadores, estudantes, empresas e órgãos de fomento, com o apoio da Inova. Eventos como o FAPESP Day reforçam nossa missão de aproximar ciência e sociedade por meio de soluções que realmente possam chegar ao mercado”, comentou Lopes.

O diretor-executivo da Inova Unicamp, professor Renato Lopes, ressaltou a importância das linhas de fomento para que pesquisas desenvolvidas na Unicamp possam se tornar inovação. Foto: Igor Alisson – Inova Unicamp
Rodolfo Azevedo, professor do Instituto de Computação (IC) da Unicamp e coordenador da área de tecnologias e parcerias de inovação da FAPESP, enfatizou a importância das agências de fomento no cenário científico brasileiro, ressaltando o volume da produção científica no estado de São Paulo, com destaque para parcerias realizadas com a Unicamp. Essas parcerias foram reforçadas pela pró-reitora de pesquisa da Universidade, a professora Ana Frattini, na ocasião exercendo o cargo de reitora em exercício. Frattini apresentou o panorama da infraestrutura de pesquisa e inovação da Unicamp, destacando a relevância da colaboração entre a Universidade, grandes corporações e agências de fomento para o avanço da inovação tecnológica, enfatizando as parcerias com a FAPESP.
As professoras Marisa Beppu, docente da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, e Liliam Carrete, docente da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA USP), ambas gestoras do programa de tecnologias e parcerias de inovação da FAPESP, demonstraram ao público um panorama detalhado das três linhas de fomento da Fundação voltadas à inovação: Centros de Pesquisa Aplicada (CPA), Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) e Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Ao apresentarem a relevância dessas iniciativas, destacaram que atualmente existem 31 CPAs aprovados que mobilizam mais de R$ 2,1 bilhões somando contribuições da FAPESP, empresas parceiras e instituições de ciência e tecnologia.
Um desses CPAs é o Brazilian Institute of Data Science (BI0S) da Unicamp, apresentado no evento como um caso de sucesso. O professor Leonardo Tomazeli Duarte, coordenador científico do centro de pesquisas e professor associado da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, apresentou as atividades do CPA e sua divisão em três grandes trilhas temáticas: Saúde, Agro e Método, que abrangem desde modelagem epidemiológica e agricultura de precisão até o estudo de equidade e transparência em algoritmos. Em sua fala, Tomazeli Duarte destacou alguns resultados significativos do CPA, incluindo patentes depositadas e a criação de empresas spin-offs da Unicamp.
Caminhos práticos para transformar pesquisa em inovação
O PIPE FAPESP, uma das principais linhas de fomento no Brasil para empreendimentos baseados em pesquisa científica, também foi tema de apresentações e discussões no evento. O professor Paulo Schor, docente da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM UNIFESP) e gestor da área de tecnologias e parcerias de inovação da FAPESP, apresentou o programa e suas três fases, mostrando exemplos de startups que receberam apoio do PIPE e os caminhos para a submissão de projetos. Schor chamou a atenção para problemas que comprometem a submissão de projetos ao PIPE, como a falta de anexos obrigatórios, a solicitação de itens não financiáveis, entre outros que acabam reduzindo as chances de aprovação.

Além de trazer informações importantes sobre linhas de fomento, os palestrantes também compartilharam dicas importantes para o desenvolvimento e submissão de projetos. Foto: Igor Alisson – Inova Unicamp.
O PIPE FAPESP seguiu como tema da fala de Anapatrícia Vilha, professora do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC (CECS UFABC) e assessora da diretoria científica da FAPESP, que aprofundou a discussão ao apresentar uma visão detalhada sobre o funcionamento e a estrutura do PIPE, além de indicar caminhos para que os proponentes possam elaborar uma proposta sólida. A apresentação destacou orientações práticas, ressaltando aspectos que costumam ser negligenciados pelos proponentes, como a competência da equipe envolvida na pesquisa, o detalhamento do projeto, a omissão dos diferenciais da tecnologia e suas contribuições significativas.
Outro equívoco recorrente apontado pelos representantes da FAPESP é a construção de propostas com foco empresarial, e não científico-tecnológico. Os palestrantes reforçaram que o PIPE é um programa voltado para o fomento de pesquisas, e não um financiamento ao negócio, e que isso deve estar explícito no projeto. Neste aspecto, Vilha enalteceu a importância do evento para apresentar aos proponentes quais são as expectativas da Fundação em termos de projetos de acordo com cada linha de financiamento.
“No FAPESP Day, buscamos ir além de explicar as modalidades dos programas e quais aspectos são financiáveis. Tentamos mostrar quais são as falhas mais comuns e quais são os erros mais recorrentes nos projetos, de forma a criar uma interação como via de mão dupla para preparar os proponentes de forma que eles possam submeter projetos mais assertivos, com impacto tecnológico e econômico”, destacou.
No âmbito do PIPE, o evento contou com o caso de sucesso da Rubian Extratos, uma empresa-filha da Unicamp que recebeu fomento do programa. A empresa foi criada após a participação de seus sócios-fundadores na competição de empreendedorismo Desafio Unicamp, organizada pela Inova Unicamp, e é graduada pela Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), que integra o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, ambos sob gestão da Inova. Eduardo Aledo, sócio-fundador da Rubian, apresentou a trajetória da empresa e exemplificou como o fomento da FAPESP possibilitou o desenvolvimento do negócio e permitiu transformar pesquisas em produtos que atingiram o mercado.
Cultura de inovação e empreendedorismo

O evento faz parte das ações de comunicação especializada em inovação e empreendedorismo promovidas pela Inova Unicamp. Foto: Igor Alisson – Inova Unicamp.
A realização do FAPESP Day Campinas faz parte das ações estratégicas de comunicação especializada em inovação e empreendedorismo, que são voltadas à promoção da cultura de inovação e empreendedorismo na Unicamp. Ao criar espaços de diálogo entre pesquisadores, empreendedores e órgãos de fomento, a Agência de Inovação da Unicamp busca estimular a troca de conhecimentos e incentivar a comunidade acadêmica a transformar pesquisas em inovação.
Kátia Kishi, supervisora de comunicação na Inova, ressalta o impacto positivo que eventos como esse proporcionam ao aproximar pesquisadores e empreendedores de oportunidades de fomento específicas para pesquisa e inovação.
“A comunicação especializada tem um papel estratégico na consolidação da cultura de inovação e empreendedorismo. Quando conectamos pessoas, divulgamos oportunidades de fomento e damos visibilidade a pesquisas relevantes, ampliamos o alcance do impacto científico e impulsionamos o ecossistema empreendedor e de inovação da Unicamp”, enfatizou Kishi.
Ao final do evento, houve um momento de debate entre os participantes com perguntas e respostas, seguido de um coffee para networking.
Sobre a Inova Unicamp
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), criada antes da Lei de Inovação, atua desde 2003 como o único Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade, responsável pela proteção dos ativos de propriedade intelectual da Unicamp e pela proteção dos interesses da Unicamp em convênios de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmados com empresas e instituições e nas transferências de tecnologias da Universidade.
Também é responsável por promover a comunicação voltada ao fomento da cultura de inovação e empreendedorismo na Universidade, pelo apoio na criação de empresas spin-offs acadêmicas, pelo mapeamento de empresas-filhas da Unicamp e pela gestão do Parque Científico e Tecnológico e da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp).