Programa BRAVE, da Unicamp, vence Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2025

Fotografia em ambiente aberto exibe um homem adulto, de cabeça raspada, usando camisa polo azul-marinho, posando com os braços cruzados e expressão sorridente. Ao seu lado, há uma planta de agave de folhas longas e pontiagudas. Ao fundo, vê-se um ambiente de cultivo com outras plantas verdes e caixas plásticas empilhadas, sugerindo um viveiro ou estufa agrícola. Fim da descrição.
Programa liderado pela Unicamp desenvolve cadeia agroindustrial para produção de biomassa no semiárido brasileiro, com apoio da Shell Brasil

Texto: Isabele Scavassa – Inova Unicamp (Com informações de Shell e ANP) | Foto: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp 

O Programa Brasileiro para o Desenvolvimento do Agave (BRAVE), coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é um dos vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2025, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), uma das mais importantes distinções do setor de óleo, gás e energia no país. O BRAVE foi reconhecido por seu potencial de transformar conhecimento científico em soluções sustentáveis para a transição energética, ao investigar o agave como nova fonte de biomassa para a produção de biocombustíveis.

O BRAVE é desenvolvido em parceria com a Shell Brasil, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec) e coordenado pelo docente do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp Gonçalo Amarante Guimarães Pereira. A parceria de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) conta com apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp no que tange à proteção da propriedade intelectual desenvolvida na Universidade.

O programa busca estruturar uma nova cadeia agroindustrial adaptada às condições do semiárido brasileiro, com impactos ambientais, sociais e econômicos positivos. Ele também aposta em inovações em biotecnologia, melhoramento genético, mecanização agrícola e rotas industriais para viabilizar o uso energético do agave em larga escala.

A edição 2025 do Prêmio ANP também reconheceu um sistema inteligente de completação de poços totalmente elétrico desenvolvido pela Shell Brasil. Ao todo, a companhia teve sete projetos finalistas, todos financiados com recursos da Cláusula de P&D da ANP, mecanismo que viabiliza investimentos de cerca de R$ 500 milhões por ano em pesquisa e inovação no Brasil.

Tecnologia oriunda das pesquisas do Brave conta com proteção internacional 

No caso do BRAVE, os avanços científicos são conduzidos, em grande parte, no Laboratório de Genômica e Bioenergia (LGE) do IB da Unicamp, responsável pela coordenação de subprojetos estratégicos. Com 30 milhões de reais investidos pela Shell, as pesquisas envolvem também a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e abrangem desde o sequenciamento genético e melhoramento do agave até o desenvolvimento de mudas de baixo custo, avaliação do potencial energético, processos de fermentação e análise do ciclo de vida da cultura.

Fotografia em ambiente fechado exibe um grupo de sete pessoas adultas reunidas em uma estufa agrícola, ao redor de uma mesa metálica, observando e manuseando duas plantas de agave de grande porte cultivadas em vasos pretos. As pessoas, vestidas de forma casual, demonstram interesse e interação com as plantas, tocando as folhas e conversando entre si. Ao fundo, há bancadas com outras mudas em recipientes plásticos, estrutura de estufa com cobertura translúcida e vegetação visível, caracterizando um ambiente de pesquisa e cultivo vegetal. Fim da descrição.

O projeto busca transformar o agave na “cana-de-açúcar do sertão”, por seu potencial de gerar etanol de primeira e segunda geração, biocombustíveis e bioeletricidade, com uma vantagem estratégica: a cultura demanda até 80% menos água do que a cana-de-açúcar, segundo Pereira. 

Para isso, o grupo desenvolveu um método para obter o primeiro agave transgênico do Brasil, resistente ao herbicida glifosato – químico usado para eliminar ervas daninhas. A proteção da propriedade intelectual envolvida nas pesquisas contou com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp, com depósito de pedido de patente nacional no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e solicitação de proteção internacional via Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). 

Sobre a Inova Unicamp 

A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campi. A Inova Unicamp foi criada em 2003 com o objetivo de identificar oportunidades e promover atividades que estimulam a inovação e o empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado.

A Agência apoia a comunidade na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia, na consolidação de acordos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e o setor empresarial. Ela também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e capacitações.

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