28 de janeiro de 2026 Agro em Campo | Casca de jabuticaba e óleo de pequi protegem probióticos em alimentos ácidos
Texto: Henrique Rodarte – Agro em Campo | Foto: Igor Alisson – Inova Unicamp
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que pode transformar o mercado de alimentos funcionais. Eles criaram microesferas protetoras, utilizando casca de jabuticaba e óleo de pequi, que ampliam drasticamente a resistência de probióticos em produtos vegetais e à base de frutas.
A inovação soluciona um grande entrave da indústria: a alta sensibilidade desses microrganismos benéficos à acidez, ao açúcar e às variações de temperatura em alimentos não lácteos. Com a nova técnica, os probióticos sobrevivem e permanecem viáveis em ambientes antes considerados hostis, como sucos, polpas, geleias e bebidas vegetais.
A tecnologia aprimora uma patente anterior do mesmo grupo. Os cientistas combinam métodos de encapsulação para criar uma matriz com alginato de cálcio (polímero natural), casca de jabuticaba em pó e óleo de pequi. Essa combinação forma emulsões duplas que atuam como verdadeiros escudos para os probióticos.
“Testamos os probióticos encapsulados em ambientes extremos, com alta acidez e concentração de açúcar, e eles permaneceram viáveis. A casca de jabuticaba e o óleo de pequi criam camadas adicionais de proteção”, explica o professor Juliano Lemos Bicas, um dos inventores da tecnologia.
Além do ganho funcional, a fórmula valoriza a biodiversidade nacional e promove um aproveitamento mais nobre para resíduos agroindustriais. “A combinação não só apresenta melhor desempenho, como também transforma subprodutos, que muitas vezes viram compostagem, em ingredientes de alto valor agregado e benefício à saúde”, destaca Bicas.
A pesquisa, conduzida junto aos doutores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, já passou por testes em escala piloto com parceiros industriais. O próximo objetivo é validar e ampliar a escala para produção industrial.
A tecnologia tem proteção intelectual via Certificado de Adição e recebeu apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp. Ela já está disponível no Portfólio de Tecnologias da universidade para licenciamento por empresas interessadas.
“A Inova tem uma estrutura que nos orienta da proteção intelectual até a interface com empresas. É o que garante que nossas pesquisas cheguem ao mercado”, avalia o pesquisador.
A inovação contribui diretamente para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 – Saúde e Bem-Estar, ao criar alternativas alimentares mais inclusivas e promover uma economia circular.
Empresas interessadas em licenciar esta tecnologia podem entrar em contato diretamente com a Inova Unicamp através do formulário de conexão disponível no site da Agência.