Unit | Bioembalagem desenvolvida por pesquisadores avança em programa nacional de inovação

Foto colorida apresenta uma oficina de planejamento onde pessoas preenchem um cartaz de "Canvas de Modelo de Negócio" sobre uma mesa branca. O foco está na colaboração: mãos utilizam canetas coloridas para escrever em diversos post-its (rosa, azul, amarelo e laranja) colados sobre as seções do quadro, como "Canais" e "Segmentos de Clientes". Ao fundo, notam-se logotipos da Inova Unicamp e do INCAMP, reforçando o contexto de inovação e empreendedorismo. Fim da descrição.
Tecnologia propõe aumentar durabilidade de alimentos e reduzir desperdícios com solução biotecnológica

Criado para estimular o empreendedorismo inovador em todo o país, o Programa Centelha é uma das principais iniciativas de fomento à criação de startups de base tecnológica no Brasil. A proposta é transformar ideias em negócios, oferecendo capacitação, recursos financeiros e suporte para que projetos avancem em maturidade e cheguem ao mercado com maior consistência.

Em um cenário altamente competitivo, a pré-seleção já representa um passo importante, indicando que a proposta atende a critérios rigorosos de inovação, viabilidade e impacto. Na Universidade Tiradentes (Unit), 11 projetos foram pré-classificados, entre eles o Bioembalagem para a proteção de alimentos, desenvolvido pela startup Nanounique, formada pelos pesquisadores Pedro Ellison Santos do Nascimento, Bruno Cavalcante, Rayssa Costa Araújo, Matheus Goulart de Jesus Seabra e Dryelle Karoline de Almeida Silveira, com atuação nas áreas de biotecnologia, saúde e engenharia de processos.

A iniciativa atua em um dos pontos mais críticos da cadeia alimentar: a conservação dos produtos até o consumo final. A proposta é desenvolver um biofilme capaz de aumentar o tempo de prateleira dos alimentos e reduzir perdas, reunindo base científica, sustentabilidade e viabilidade comercial.

De acordo com o doutorando do Programa de Biotecnologia Industrial (PBI), Pedro Ellison, a ideia surgiu a partir da observação de um problema recorrente no setor. Ele explica que a equipe identificou falhas no processo de distribuição e consumo que resultam em desperdício significativo. “Notamos que toneladas de alimentos são perdidas todos os anos por má conservação, especialmente na etapa final da cadeia. Isso nos motivou a buscar uma solução que atuasse diretamente nesse ponto crítico”, afirmou.

Solução inovadora

Diferente das abordagens convencionais, baseadas principalmente no controle de temperatura, a bioembalagem proposta pela Nanounique funciona como uma barreira biotecnológica ativa. O material cria uma proteção física e química ao redor do alimento, contribuindo para preservar suas características por mais tempo. “A proposta não é apenas conservar, mas permitir que a própria natureza contribua para a proteção, com um biofilme funcional que amplia a durabilidade sem depender exclusivamente de métodos tradicionais”, explicou.

O projeto ainda está em fase inicial, com foco na estruturação do biofilme e na validação científica da solução. A equipe trabalha na otimização do material, o que exige aprofundamento técnico e testes contínuos para garantir desempenho e segurança.

Para o doutorando em Biotecnologia Industrial Matheus Goulart, o momento decisivo ocorreu quando o grupo identificou o potencial de aplicação prática da tecnologia. Segundo ele, a proposta ganhou força ao conectar conhecimento científico a uma demanda concreta. “Quando conseguimos organizar a ideia em uma trilha de validação e demonstrar tecnicamente o valor da solução, ficou claro que havia competitividade e espaço para crescimento”, pontuou.

Esse direcionamento contribuiu para o destaque no Centelha. Matheus avalia que o diferencial está na combinação entre aplicação prática e clareza na execução. “Existe uma rota de desenvolvimento, prototipagem e validação conectada a um problema real. Além disso, a estrutura da equipe, o plano de trabalho e a coerência entre problema, solução e estratégia fortaleceram a proposta”, elencou.

Caminho empreendedor

A trajetória da Nanounique até a pré-seleção também reflete um processo de amadurecimento estrutural e estratégico. A ideia não surgiu dentro da universidade, mas encontrou no Ecossistema Tiradentes o suporte necessário para se desenvolver e ganhar escala.

Segundo a mestranda do Programa Biociências e Saúde (PBS), Dryelle Karoline de Almeida, a participação no programa representa uma virada importante. “O processo do Centelha valida que uma ideia construída com base técnica e propósito pode alcançar escala e relevância”, ressalta.

Ela destaca ainda que o principal desafio não foi técnico, mas relacionado à construção da startup. “Foi preciso aprender do zero a parte empreendedora, como estratégia, validação de mercado, posicionamento e organização das rotinas. A evolução aconteceu ao unir essa nova visão de negócio com a base técnica que já tínhamos”, afirma.

A mestranda Rayssa Costa Araújo reforça que, no início, o incentivo de professores foi essencial para inserir o grupo em ambientes de empreendedorismo científico. A participação em eventos contribuiu para estruturar melhor a proposta e visualizar seu potencial. “Um marco decisivo foi o Desafio Unicamp, onde fomos reconhecidos com dois prêmios: Melhor Modelo de Negócios e Impacto Socioambiental. Esse foi o ponto de virada que fez a Nanounique sair do papel e ganhar consistência”, relatou.

Com a pré-seleção no Centelha, a startup passa a ocupar um novo patamar dentro do ecossistema de inovação. Segundo Rayssa, o reconhecimento amplia a credibilidade e acelera a organização interna do projeto. “A gente passa a estruturar melhor indicadores, planejamento e validações para avançar em maturidade tecnológica e de mercado”, comenta.

Impacto e mercado

Além do caráter científico, a proposta já nasce com direcionamento claro para o mercado, adotando um modelo de negócios B2B, voltado à venda direta para empresas da indústria alimentícia. A intenção, segundo o mestrando em Engenharia de Processos, Bruno Cavalcante, é oferecer uma alternativa às tecnologias tradicionais de conservação.  “Optamos por entender primeiro o problema e, a partir dele, desenvolver uma tecnologia capaz de atender essa demanda, o que torna a proposta mais alinhada com a aplicação prática”, afirmou.

O processo de preparação para o Centelha exigiu organização do projeto, com definição do problema, consistência técnica e planejamento da execução, além da construção de uma narrativa clara de viabilidade. “Foi necessário demonstrar que a solução não é apenas inovadora, mas que pode ser implementada”, acrescentou.

A aprovação na etapa inicial também sinaliza potencial de mercado, como destaca Pedro Ellison. Para ele, o reconhecimento indica que soluções biotecnológicas têm espaço estratégico no desenvolvimento regional. “O Centelha demonstra que propostas com esse perfil são vistas como relevantes para impulsionar inovação e crescimento econômico no estado”, avaliou. Com o avanço no programa, a expectativa da equipe é acelerar o desenvolvimento, ampliar parcerias e avançar nas etapas de validação e escalabilidade.

Matéria originalmente publicada no site Unit

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