G1 Campinas | Tecnologia da Unicamp recria ambiente da medula óssea e abre caminho para novos testes de remédios

A imagem apresenta uma vista superior em close-up de dois pequenos suportes cilíndricos com textura estriada, conhecidos como scaffolds, posicionados lado a lado dentro de uma placa de Petri circular sobre uma superfície clara. O objeto à esquerda possui uma tonalidade rosa vibrante e translúcida, enquanto o objeto à direita é incolor e transparente, assemelhando-se a gelo ou vidro trabalhado. Ambos possuem uma estrutura interna composta por finas linhas paralelas verticais, resultado de um processo de bioimpressão 3D. Fim da descrição.
Equipamento ainda está em fase inicial e foi testado apenas com células de animais. Cientistas também estudam uso futuro como implante no corpo humano.

Texto: Gabriella Ramos – G1 Campinas | Fotos: Igor Alisson – Inova Unicamp

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um dispositivo 3D, que recria em laboratório, o ambiente da medula óssea. A tecnologia está em fase inicial de testes e, segundo os responsáveis pelo estudo, pode abrir caminho para novas formas de testar medicamentos.

Os experimentos foram realizados com células de animais, em ensaios pré-clínicos e in vitro. Até o momento, o dispositivo não foi testado em humanos.

Como funciona?

O equipamento foi criado para reproduzir, fora do corpo, as condições que permitem a formação do sangue. Esse processo acontece na medula óssea e depende da interação entre diferentes tipos de células.

De acordo com o pesquisador Marcus Corat, do Laboratório de Modelos Biológicos do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (Cemib), o dispositivo consegue “mimetizar o ambiente de sinalização na medula óssea, onde você pode produzir células sanguíneas.

Oito anos de estudo

O estudo começou há cerca de oito anos. Primeiro, os pesquisadores buscaram entender como recriar, em laboratório, a comunicação entre as células da medula óssea.

Durante essa etapa, eles identificaram uma combinação de células que conseguiu preservar por mais tempo as características das células-tronco responsáveis pela formação do sangue.

A partir daí, desenvolveram o dispositivo em 3D, feito de um material compatível com o corpo humano. Ele funciona como uma estrutura onde as células ficam organizadas e conseguem se manter vivas e funcionando.

‘Minifábrica’ de células

Uma das principais aplicações em estudo é o uso da tecnologia para testar medicamentos. “[A ideia é que] A gente consiga testar in vitro diferentes drogas antes de tentar fazer isso com paciente. Então a gente consegue eliminar o uso de animais para fazer alguns testes na questão da hematopoese [produção de células sanguíneas]”, explica o pesquisador.

Outra possibilidade, um pouco mais distante, é usar o dispositivo como um implante no corpo humano. A ideia é que ele funcione como uma espécie de “minifábrica” de células sanguíneas.

“Nesse caso, ele poderia servir como um minitransplante dentro do organismo da pessoa e verificar se existe alguma rejeição”, afirma.

A tecnologia teve pedido de patente depositado e está disponível para licenciamento, segundo os pesquisadores. Corat reforça que ainda vai levar tempo até que isso chegue aos pacientes. “Quando você tem alguém na família que poderia se beneficiar desse tipo de coisa, essa pessoa quer isso para ontem, mas existe todo um caminho científico e ético que precisa ser seguido”, frisa.

Matéria originalmente publicada no G1 Campinas.

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