Hora Campinas | Software criado na Unicamp otimiza setor da saúde por meio de gerenciamento de equipamentos

À esquerda, um homem mais velho, de barba branca, óculos e jaleco branco com o logotipo “CEB – Centro de Engenharia Biomédica” bordado na manga, aponta com o dedo indicador para um monitor de computador. O monitor exibe gráficos de barras em azul e outros dados organizados em uma tela semelhante a um painel de análises. No centro, uma mulher de cabelos castanhos lisos, soltos e altura média, veste uma blusa preta com listras brancas onduladas e observa atentamente a tela, inclinando-se ligeiramente para a frente. À direita, um homem sentado, de perfil, acompanha a explicação; ele tem cabelo curto escuro, barba rala e veste uma camiseta bege com gola polo. No fundo, é possível ver outro monitor ligado, mostrando gráficos em uma interface diferente, e parte de uma janela, além de uma pequena lousa branca na parede à direita com alguns escritos quase imperceptíveis. Fim da descrição.
Programa de computador da Unicamp permite ampliar a perspectiva sobre o conhecimento de equipamentos odonto-médico-hospitalares

Há quinze anos, o Sistema de Gerenciamento de Tecnologia para a Saúde era implementado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De lá para cá, o GETS, como é conhecido, permitiu ampliar a perspectiva sobre o conhecimento de equipamentos odonto-médico-hospitalares. Criado por um docente e dois pesquisadores da Universidade, o programa de computador tem como objetivo facilitar o gerenciamento de parques tecnológicos de instituições de saúde.

O monitoramento é feito por meio de um software que oferece indicadores para a gestão do ciclo de vida e histórico de manutenções dos equipamentos. Por meio dessas informações, o gestor consegue identificar alertas que podem significar adversidades ou falhas humanas.

A partir das funcionalidades do GETS, as equipes de hospitais e outras instituições de saúde conseguem identificar equipamentos que apresentam alto índice de falhas e excessivo gasto com manutenção, por exemplo. Para que tudo isso aconteça, o software utiliza uma nomenclatura padronizada de equipamentos e procedimentos de Engenharia Clínica e, a partir das informações inseridas, são gerados indicadores sobre o comportamento dos equipamentos.

Somente no último ano, a tecnologia alcançou seis instituições de saúde, com suporte da Agência de Inovação Inova Unicamp, agregando à lista de mais de 170 unidades de saúde que utilizam o programa. Foram elas: Fundação Hemocentro de Brasília, Hospital Municipal de Diadema, Hospital e Maternidade Municipal de São José dos Pinhais, Prefeitura Municipal de Campinas, Rede Municipal Doutor Mário Gatti de Urgência e Emergência Hospitalar, Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia.

Autores por trás do código

O programa de computador já nasceu com uma pretensão significativa: a de mapear o funcionamento de equipamentos de saúde no Brasil. José Wilson Bassani, docente e responsável pela tecnologia, notou a necessidade de conhecer os equipamentos em uso no país quando era diretor do Centro de Engenharia Biomédica (CEB). Pensando nisso, o GETS foi esboçado, no início dos anos 2000, a partir de uma estrutura matemática.

“De um lado, o país não sabia qual a condição funcional do seu parque de equipamentos da rede pública de saúde. De outro, a gente percebia que os nossos alunos formados na área de engenharia clínica não tinham condições de ter uma visão mais global e daquilo que eles próprios estavam fazendo”, comenta Bassani sobre o panorama do país quando teve a ideia de criar o GETS.

Essas duas situações mencionadas, segundo o docente, mostravam que algo precisava ser feito, “não só para uso na universidade, mas para que tivesse uma abrangência maior”, explica. O software cujo berço foi o Laboratório Nacional para Gerenciamento de Tecnologia em Saúde (LNGTS) levou alguns anos para chegar ao seu piloto, lançado em 2010.

Para se concretizar, a criação do sistema contou com o apoio da engenheira clínica com mestrado na área de Engenharia Biomédica pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp, Ana Cristina Bottura Eboli, e do analista de sistemas, Éder Trevisoli da Silva, responsável pelo desenvolvimento de software e manutenção da tecnologia envolvida no sistema. Também dispôs de fomento público da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e do Ministério da Saúde para seu desenvolvimento e, posteriormente, foi registrado pela Unicamp, com estratégia da Inova Unicamp.

O software criado na Unicamp ultrapassa os limites do estado e chega a diversos municípios em diferentes regiões do Brasil. O que começou com equipamentos apenas no perímetro da Universidade, hoje já alcança números expressivos, como 52 contratos de licenciamento. Levar a tecnologia à rotina dos hospitais é uma das funções de Eboli, que trabalha com o GETS desde seus anos iniciais.

A engenheira clínica é co-autora do software e responsável por definições de requisitos de implantação, pelo atendimento aos hospitais e treinamento para uso da ferramenta. Ela conta que, em sua experiência de uma década implantando o software, compreendeu a complexidade de levar a tecnologia da Universidade para a sociedade.

A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campineiros. A Inova Unicamp foi criada em 2003 com o objetivo de identificar oportunidades e promover atividades que estimulam a inovação e o empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado.

A Agência apoia a comunidade interna na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia, na consolidação de convênios de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e o setor empresarial. Ela também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e capacitações. (Inova Unicamp)

🌐 Matéria originalmente publicada em Hora Campinas

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